Quando eu era criança, por volta dos dez anos de idade, eu tive um pequeno acidente enquanto brincava. Nada demais, só um moleque se ralando no skate, que nunca soube andar pra falar a verdade…
Como eu caí de costas e ralei meus braços, minha mãe, preocupada, queria ver a extensão do estrago e pediu para eu tirar a camisa, algo que naquela idade fazia um bom tempo que eu não fazia. Ela ficou chocada não com os pequenos arranhões nas costas, mas minha visível magreza, a ponto de aparecer os ossos das costelas.
Minha magreza foi motivo de preocupação desde cedo. Tinha uma velha vizinha chatonilda que eu tinha pavor de passar na frente da casa dela porque sempre ela me olhava e dizia algum comentário do tipo “precisa comer mais” e recomendava o famigerado xarope Biotônico Fontoura, cuja função era aumentar o apetite (que recentemente descobri que tinha um alto teor alcoólico na composição e davam para crianças todos os dias!). Aquela porcaria nunca funcionou direito.
Para a minha mãe, ter um filho saudável significava ter um filho gordinho e no meu caso ela falou que eu estava doente e ficou ainda mais preocupada quando, em uma feira de saúde da escola, foi calculado o maldito IMC e eu estava abaixo do peso ideal, na condição de “subnutrido”. Foi o alerta para ela me levar ao médico.
Eu sentia a pressão por ser magro e na verdade, eu almejava ter uma barriguinha, uns pneuzinhos para chamar de meu. Não era só a velha vizinha que falava isso e mesmo que não tivesse algum sentido pejorativo, odiava que me chamassem de “magrinho”, “seco” (vários dos meus amigos eram tão magros como eu e eram chamados de “seco”. Até meu irmão me chama de “seco” ou de “Sekura”, apelido referenciando uma personagem de anime que fazia sucesso, a Sakura. O engraçado era que ele era tão magro quanto eu, mesmo sendo mais velho.
Também odiava ter pouca força física. Quando tinha maratonas na escola eu era péssimo quando tinha algo para usar a força.
Foi nessa época que comecei a reparar no corpo dos outros e me comparar. Eu queria ser mais cheinho. Queria ter um peso “normal”.
Depois de fazer os exames, o médico falou que não havia nada de errado comigo. Meu biotipo era assim mesmo e perguntou para a minha mãe qual era o motivo de querer um filho gordinho e achar que era mais saudável do que ter um magro? O médico falou que o peso aumentaria com a idade e que eu deveria aproveitar para usar a energia para praticar atividades físicas, quem sabe até virar um maratonista!
Isso fez minha mãe aceitar e também se livrar de umas gororobas que estava fazendo tentando aumentar meu peso. Mais tarde eu descobriria que minha alimentação estava falha e realmente eu não teria dificuldade de ganhar peso. Uma alimentação saudável não incluía biscoitos recheados e toneladas de embutidos, mas chegarei lá.
Pelo menos alguns meses depois eu me puxei e, apesar de continuar “magrinho”, não havia mais ossos tão a mostra a ponto de dizerem que eu estava passando fome. Na época eu realmente me preocupava por estar magro não no sentido de querer mudar a situação, mas sim pelo que as outras pessoas comentariam… Deixei de levar como ofensa. “Sim, eu sou magro. E daí?”.
Eu não tinha o costume de ficar me olhando sem camisa no espelho e observar meu corpo. Simplesmente não estava nem aí com minha forma física.
Foi nessa época de aceitação, perto da adolescência que fui diagnosticado com asma. Doença terrível, mas que me levou ao prazer de praticar um esporte que adoro: natação.
Os meninos e homens naturalmente praticam o esporte apenas de sunga e, apesar da insegurança no primeiro momento por verem meu corpo magro, passou rapidamente. O professor era cheinho e tinha um corpo absolutamente normal. Meus colegas eram magros, gordinhos, alguns até acima do peso, mas ninguém se importou com o corpo alheio. Nenhum de nós estava em forma. O que me fez pensar no seguinte:
Não é necessário ficar se comparando aos outros. O que importa é você se sentir bem, independente do corpo que tenha. Todos nós temos inseguranças, mas não precisamos fazer com que elas tomem controle do nosso corpo. Os corajosos não são aqueles que não tem medo, porque todos temos medos. Corajosos são aqueles que enfrentam seus medos.
A natação me ajudou a desbloquear essas inseguranças a respeito do meu corpo e também a naturalizar a nudez, como contei no outro tópico
Desde a prática de natação me tornei um descamisado (nudista nas horas mais propícias) e mais confiante com meu corpo, mas sempre há espaço para resolver as inseguranças e como eu me sentia ainda fraco e mais magro do que gostaria, iniciei na musculação. Atualmente é a atividade que pratico para manter meu corpo e, apesar de não ser o maior, mais musculoso e forte do que eu gostaria, atingi meu objetivo de ser um cara completamente saudável. Com uma alimentação melhor e frequência na academia, hoje em dia tenho o peso ideal para não ser mais chamado de “magrinho”.
Quando falo sobre inseguranças que tenho em relação ao meu corpo, lembro daquela que era a principal, minha magreza, cujos pais e pessoas mais velhas fazem um completo terrorismo sobre o assunto.
Outra insegurança que tinha a respeito do meu corpo era a respeito dos pelos. Eu sempre fui o mais peludo da família, minha barba começou a crescer quando eu tinha uns onze anos, assim como os pelos das pernas, virilha, bunda, braços, mãos e… só! Queria ter tanto pelos no peito, acho tão másculo, mas infelizmente meus pelos na região não se desenvolveram até hoje. Mas não é algo que eu sinta uma falta absurda. Gosto de variar o estilo, me depilando completamente ou deixando crescer.
No final das contas, eu gosto muito do meu corpo como ele é hoje e me sinto confortável com ele, mesmo que sempre sinto que poderia ser melhor. Mas é como a vida: você sempre espera que seja melhor e nunca existirá um tempo que seja infinitamente perfeito.
E você, tem ou teve alguma insegurança com seu corpo? Compartilhe conosco!
Inseguranças
- Lucas S
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Re: Inseguranças
Creio que a minha principal insegurança hoje é - sempre foi, na verdade - a minha magreza. Isso já me atormentou muito mais no passado do que atormenta hoje, é algo com que eu consigo lidar muito melhor do que no passado.
Quando eu ando sem camisa na rua, sempre fico imaginando o que as pessoas poderiam estar pensando ao se deparar com um cara tão magro quanto eu. A diferença é que hoje isso não me impede de mostrar que eu sou, mas que me incomoda, isso incomoda!
Em relação aos pelos do corpo, também tenho uma insegurança. Se, por um lado, eu amo os poucos pelos que tenho e não faço questão nenhuma de removê-los, por outro, sei que muita gente acha nojento, anti-higiênico, mesmo eu fazendo a minha higiene certinho, com atenção especial às regiões onde há pelos. Aí eu fico preocupado que as pessoas me julguem por eu não me depilar! Quando eu vejo o corpo de outros caras, a primeira coisa que eu observo é se ele mantém ou não os pelos do corpo. Fico feliz quando vejo outros caras que mantêm, pois sei que não estou sozinho nessa. E, pode ser coisa da minha cabeça, mas tenho a impressão de que os caras estão voltando a deixar os pelos do corpo crescerem, como antigamente.
Tenho outras inseguranças menos significativas, mas acho que essas duas são as principais e as maiores.
Quando eu ando sem camisa na rua, sempre fico imaginando o que as pessoas poderiam estar pensando ao se deparar com um cara tão magro quanto eu. A diferença é que hoje isso não me impede de mostrar que eu sou, mas que me incomoda, isso incomoda!
Em relação aos pelos do corpo, também tenho uma insegurança. Se, por um lado, eu amo os poucos pelos que tenho e não faço questão nenhuma de removê-los, por outro, sei que muita gente acha nojento, anti-higiênico, mesmo eu fazendo a minha higiene certinho, com atenção especial às regiões onde há pelos. Aí eu fico preocupado que as pessoas me julguem por eu não me depilar! Quando eu vejo o corpo de outros caras, a primeira coisa que eu observo é se ele mantém ou não os pelos do corpo. Fico feliz quando vejo outros caras que mantêm, pois sei que não estou sozinho nessa. E, pode ser coisa da minha cabeça, mas tenho a impressão de que os caras estão voltando a deixar os pelos do corpo crescerem, como antigamente.
Tenho outras inseguranças menos significativas, mas acho que essas duas são as principais e as maiores.
- gabriels
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Re: Inseguranças
Assim como a barba, também acho que os pelos voltaram na moda. Os homens estão cuidando mais da aparência, mas não necessariamente significa depilar. Na minha opinião pelos em lugares estratégicos, como o peito, antebraço, pernas, deixam com um visual bem legal. Agora pelos no ombro e nas costas pra mim é um desleixo (até porque nascem desparelhos nessas partes), mas tem quem gosta de ficar ao natural... Aí é questão de gosto pessoal mesmoLucas S escreveu: Sáb 08 Fev 2025, 22:24 Em relação aos pelos do corpo, também tenho uma insegurança. Se, por um lado, eu amo os poucos pelos que tenho e não faço questão nenhuma de removê-los, por outro, sei que muita gente acha nojento, anti-higiênico, mesmo eu fazendo a minha higiene certinho, com atenção especial às regiões onde há pelos. Aí eu fico preocupado que as pessoas me julguem por eu não me depilar! Quando eu vejo o corpo de outros caras, a primeira coisa que eu observo é se ele mantém ou não os pelos do corpo. Fico feliz quando vejo outros caras que mantêm, pois sei que não estou sozinho nessa. E, pode ser coisa da minha cabeça, mas tenho a impressão de que os caras estão voltando a deixar os pelos do corpo crescerem, como antigamente.
- Lucas S
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Re: Inseguranças
Espero que sim. Uma coisa que eu notei naquele grupo do Reddit que mencionei no outro tópico é que o pessoal que mantém os pelos do corpo sempre recebe elogios. Resta saber se essa "valorização dos pelos" é algo generalizado ou se é algo que só se restringe àquela "bolha".gabriels escreveu: Sáb 08 Fev 2025, 22:39 Assim como a barba, também acho que os pelos voltaram na moda.
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Ricardo
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Re: Inseguranças
Lucas S escreveu: Sáb 08 Fev 2025, 22:24 Creio que a minha principal insegurança hoje é - sempre foi, na verdade - a minha magreza. Isso já me atormentou muito mais no passado do que atormenta hoje, é algo com que eu consigo lidar muito melhor do que no passado.
Quando eu ando sem camisa na rua, sempre fico imaginando o que as pessoas poderiam estar pensando ao se deparar com um cara tão magro quanto eu. A diferença é que hoje isso não me impede de mostrar que eu sou, mas que me incomoda, isso incomoda!
Em relação aos pelos do corpo, também tenho uma insegurança. Se, por um lado, eu amo os poucos pelos que tenho e não faço questão nenhuma de removê-los, por outro, sei que muita gente acha nojento, anti-higiênico, mesmo eu fazendo a minha higiene certinho, com atenção especial às regiões onde há pelos. Aí eu fico preocupado que as pessoas me julguem por eu não me depilar! Quando eu vejo o corpo de outros caras, a primeira coisa que eu observo é se ele mantém ou não os pelos do corpo. Fico feliz quando vejo outros caras que mantêm, pois sei que não estou sozinho nessa. E, pode ser coisa da minha cabeça, mas tenho a impressão de que os caras estão voltando a deixar os pelos do corpo crescerem, como antigamente.
Tenho outras inseguranças menos significativas, mas acho que essas duas são as principais e as maiores.
Lucas , vc deveria é se ORGULHAR da sua magreza , pq hoje em dia o q vivemos é uma epidemia de Obesidade, que além de ser muito mais anti-estético é muito mais nocivo à saúde ! Vc andando pelas ruas sem camisa e magrinho está dando até um bom exemplo à comunidade. Sabemos também q a obesidade é uma das causas frequentes das vergonhas em tirar a camisa , o q não nunca foi o seu caso , nem o meu quando era criança/adolescente qd eu também era mais pra magro . Portanto fique feliz e seguro por ser magro , é muito mais saudável , mais estético que a obesidade, além do bom exemplo ! Queria eu ser mais magro do q eu sou !!
Quanto aos pelos , acho q ninguém em sã consciência fica reparando nos pelos de alguém sem camisa , desde q não seja um URSO supercabeludo , o q não é o seu caso , e acho até q um todo raspadinho nem sempre todo mundo gosta . Portanto orgulhe-se também dos seus ( poucos) pelos !!! E saia pelas ruas esbanjando Segurança !!!
- Lucas S
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Re: Inseguranças
Agradeço pelas palavras, Ricardo. Como eu disse, a minha magreza já me incomodou muito mais no passado, hoje não tanto. Eu gosto de ser magro, faz parte do que eu sou. Só não gosto da imagem de "fragilidade" que isso passa ou da impressão de que eu estaria com algum problema de saúde.Ricardo escreveu: Dom 09 Fev 2025, 00:24 Lucas , vc deveria é se ORGULHAR da sua magreza , pq hoje em dia o q vivemos é uma epidemia de Obesidade, que além de ser muito mais anti-estético é muito mais nocivo à saúde ! Vc andando pelas ruas sem camisa e magrinho está dando até um bom exemplo à comunidade. Sabemos também q a obesidade é uma das causas frequentes das vergonhas em tirar a camisa , o q não nunca foi o seu caso , nem o meu quando era criança/adolescente qd eu também era mais pra magro . Portanto fique feliz e seguro por ser magro , é muito mais saudável , mais estético que a obesidade, além do bom exemplo ! Queria eu ser mais magro do q eu sou !!
Talvez eu me sentisse mais confortável se fosse mais comum encontrar por aí outros caras tão magros quanto eu, mas é bem raro. Como você mesmo mencionou, hoje em dia há mais pessoas acima do peso do que abaixo.